→ Qual a especialidade odontológica que dá mais dinheiro?

→ Qual a especialidade odontológica que dá mais dinheiro?


Afinal, existe uma especialidade odontológica promissora mais promissora que as demais, no sentido financeiro da palavra?

Conversando com alguns estudantes de odontologia, veio à tona o assunto sobre o que, nos dias atuais, é rentável na Odontologia em nível de especialidade. Tínhamos no grupo implantodontista, protesista, ortodontista e clínico geral.

Os argumentos foram construídos em cima de diversos fatores: preço, custo, status, mas NENHUM sobre a perspectiva da profissão no futuro. Então, vou expressar  minha opinião sobre o assunto.

Quando você for escolher qual especialidade odontológica fará, leve em conta alguns aspectos abaixo:

Você tem afinidade por esta especialidade odontológica?

Esqueça de fazer algo apenas pelo dinheiro, como tudo na vida. Faça algo que te traga pelo menos alguma simpatia pelo que faz.

Lembro de uma colega que odiava realizar exodontias, mas ouviu um “conselho” de um colega e fez um curso de cirurgia oral menor. O resultado foi que abandonou o curso em dois meses.

Qual o público-alvo do seu consultório?

Outro aspecto que você tem que levar em conta é o perfil do seu público atendido no consultório. Dependendo da sua especialidade odontológica, torne-se complicado o fechamento de planos de tratamento.

Por exemplo, geralmente dentistas que trabalham com implantodontia têm dificuldades em fechar tratamentos para o público C e D. Entenda que não estou dizendo que neste público ninguém fechará este tipo de tratamento, mas a proporção é bem menor.

Por isso, tente associar especialidades com alto valor agregado com outras, como por exemplo com clínica geral. Abrir um consultório apenas para atender uma determinada especialidade pode ser um belo tiro no pé.

Quais os custos e dependência agregados da especialidade que você quer fazer?

Determinadas especialidades envolvem complementação de terceiros para a entrega do serviço odontológico prestado. Um clássico exemplo disso é prótese dentária. Aqui há dois pontos interessantes:

  • A qualidade do seu trabalho dependerá, em parte, do serviço de terceiros;
  • Haverá um custo por este serviço, que nem sempre o paciente estará disposto a pagar;
  • Uma parceria errada pode comprometer seu nome.

Seguindo a sequência acima, procure indicações sobre profissionais de qualidade que complementarão seu serviço. Pegando o caso da prótese dentária, você não poderá colocar a culpa de um resultado meia boca no protético. O paciente não pagou para ele, pagou para você.

especialidade odontológica de prótese

Dependendo do seu público, haverá necessidade de redução do seu lucro para que o paciente esteja disposto a pagar os custos laboratoriais.

Fuja de profissionais irresponsáveis e incompetentes. Profissionais que atrasam a entrega dos serviços ou que fazem um trabalho de má qualidade comprometerão seu nome.

E se você for PROTÉTICO e estiver lendo esta postagem, fuja dos dentistas que entregam moldagens inadequadas, atrasam pagamentos e depois que você resolva a bomba.

Além disso, os custos operacionais devem ser levados em conta. Continuando com o exemplo acima, a especialidade odontológica de prótese dentária geralmente tem materiais com custo alto, o que a periodontia não tem, por exemplo.

Qual o valor que o paciente dá a sua especialidade?

Ponha uma coisa na sua cabeça: procedimento estéticos, na maioria esmagadora dos casos, terão maior valor agregado e prioridade sob a ótica do paciente.

Vamos imaginar uma lipoaspiração abdominal. Muitas vezes a pessoa nem tirava a camisa com vergonha, confere? Quando ela estiver com a barriga seca, não vai querer mostrá-la ou utilizar pelo menos roupas mais justas? Pare para pensar!

Por exemplo, você provavelmente já viu alguém mostrar o resultado de um clareamento dental ou de um tratamento de ortodontia, concordas? Dependendo do caso, ele não precisará nem falar, já que estará no sorriso dele, ou seja, o resultado fica visível a terceiros.

Do outro lado, especialidades nas quais não se pode mostrar uma estimativa de resultado tem “pouco” valor, sob a ótica do paciente.

Alguém poderá olhar e dizer: Nossa, que sorriso branquinho! Fatalmente a pessoa que perguntou vai perguntar aonde ela fez o tratamento e a dona do sorriso branquinho vai dizer que fez com Dr. João com o maior prazer.

Porém, será muito complicado alguém falar sobre uma cirurgia que fez ou um tratamento de canal, e ainda mais porque é algo que não fica visível.

Resumindo, o fato de ter um tratamento cujo resultado final seja VISÍVEL a terceiros tem maior impacto no valor que o paciente dará.

Claro que eu fiz uma comparação com um poderoso argumento de prioridade chamado estética. Um paciente que foi operado vai falar para diversas pessoas como sua cirurgia foi indolor e como o dentista foi atencioso no pós operatório.

Mesma coisa vale para tratamentos endodônticos, que é uma das especialidades mais temidas pelos pacientes. Imagina o marketing que vai ser se você fizer o tratamento com o mínimo de desconforto possível?

Além disso, há também a questão do valor que o paciente dá. Um exemplo clássico disso é quando o paciente vai fazer uma prótese com o protético e não com o dentista, achando que vai fazer um bom negócio.

Ele até acha que prótese é importante, mas feita pelo protético e não pelo dentista. Só quando quebra a cara que ele decide abrir a carteira a investir. Isso é mais comum no público C e D.

Qual o grau de dependência que você tem do paciente na especialidade odontológica que você quer fazer?

Podemos dizer que este tópico é a continuação do último acima, porém sob outra ótica. Atualmente, uma especialidade que sofre MUITO com isso é ortodontia.

A popularização ocorreu de tal maneira que o paciente termina não dando muita importância ao tratamento dele.

O público C e D tem uma frequência mensal de 30 a 35% da carteira do consultório. Ou seja, se você quiser ter 100 pacientes indo frequentemente realizar a manutenção, você tem que ter uma carteira com pelo menos 300 pacientes cadastrados. Esse índice de faltas é um pouco menor no público A e B, porém ainda é alto.

Associado a isso, há a atuação dos ortodontistas de garagem, que realizam absurdos  o “tratamento” nos pacientes a um preço bem abaixo do cobrado. Por um longo tempo, achei que estes picaretas da saúde não tiravam pacientes, mas terminam tirando sim.

aparelho falso

Não podemos esquecer daqueles pacientes que comprar os “kits” de ortodontia e trocam as borrachas em casa mesmo.

Do outro lado, há pacientes que descolam os brackets comendo pedra pão ou tomando sopa. Pegando os exemplos acima, de uma forma ou de outra, atrapalha o tratamento dele e prejudica o seu nome. Sabe por que?

Porque ele vai dizer lá fora que está com aparelho há 4 anos, mas não diz que passou 2 anos sem ir ao dentista e passou mais 1 ano descolando bracket todo mês.

Qual o FUTURO da especialidade que você quer fazer?

Uma coisa é séria: a cárie está diminuindo exponencialmente por diversos motivos:

  • Aumento do acesso ao público de baixa renda a tratamentos de saúde bucal pela implantação do Brasil Sorridente pelo SUS;
  • Influência da mídia na prevenção de saúde bucal;
  • Incorporação do flúor nas pastas dentais e águas do abastecimento público;
  • Maior conscientização da população sobre a necessidade de higiene bucal.

Existe muita cárie hoje ainda? Com certeza. Mas diminuiu MUITO. Nas escolas, as crianças hoje já tem até aulas sobre higiene bucal, sendo MUITO mais fácil incorporar isso durante a formação, criando nela um hábito de higiene, coisa que não tinha na minha época.

Não é raro receber crianças em meu consultório crianças para prevenção, que são trazidas pelas mães que tiveram perdas dentárias e sofrem com isso até hoje.

Em poucas décadas, não teremos mais tratamentos de cárie dentária. Perdas dentais por lesões cariosas serão cada vez menos comuns, ainda mais com a maior acessibilidade a tratamentos odontológicos.

Que especialidade odontológica persistirá a isso? Um professor meu, em 2006, citava 3: prótese, ortodontia e periodontia. Se ele estará certo, só saberemos em algumas décadas. Mas pelo menos em duas ele  acertou em cheio.

Sempre vai ter gente com mal oclusão, logo ortodontia permanecerá. Mesma coisa com periodontia. Sempre vai ter gente com necessidade de tratamento de gengivite.

Claro que não é para ter medo do amanhã. Como disse, é algo gradual que vai ocorrer em algumas décadas. Porém, leve isso em conta, principalmente pensando em médio e longo prazo.


Leve em conta estes aspectos que coloquei acima na hora de escolher a especialidade odontológica que vai querer exercer.  Tente mesclar a satisfação pela especialidade com o lucro que ela trará.

Quanto a especialidade trará de lucro depende também da época. Há 20 anos, ortodontia estava no auge. O que ocorreu? Todos correram para orto e findou (infelizmente) na banalização que está hoje.

De dois anos para cá, está ocorrendo a mesma coisa com a especialidade odontológica de implantodontia. Um colega de SP falou que já se cobra R$ 300,00 no implante. Provavelmente, vai ocorrer a mesma banalização que ocorreu com orto.

Analise todos os pontos acima com muito carinho, pois você investirá DINHEIRO (que pode ser recuperado) e TEMPO (que NÃO pode ser recuperado).

Existe um guia definitivo sobre o marketing odontológico que foi realizado pelo Empreenda Dentista. Bastará clicar no link abaixo e começar a atrair mais pacientes para seu consultório.

Marketing odontológico:  tudo que você deve saber – O guia definitivo

 

Leitura recomendada


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Grande abraço e até a próxima postagem!

Wilson Correia Jr.


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